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| Senhor do Bonfim-BA |
Muitas pessoas estão à procura da felicidade e vivem em função disso, lembro-me de uma dinâmica no Ensino Médio com a pergunta “qual é o seu sonho?” e muitas das respostas eram “ser feliz” ou “passar no vestibular”. Isso me chamou atenção, como muitas pessoas dependem de algum resultado para alcançar felicidade, só irão ser felizes se tiverem um carro, uma casa, uma família, mas e aí quando tiver tudo isso? Não haverá mais razões para viver? Fazer da vida um caminho seco com o pote de ouro no final não encantou um personagem histórico contemporâneo. Durante as décadas de 60 e 90, existiu entre as ruas cariocas um cara que para mim escolheu, uma das melhores formas de ver e viver a vida. Vendo a felicidade nas coisas simples, José Datrino mais conhecido como Profeta Gentileza mais conhecido ainda por sua frase "gentileza gera gentileza", dedicou 35 anos de sua vida falando sobre o amor, paz e simplicidade.
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| Profeta Gentileza |
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| Muros de Gentileza |
Não quero com esse exemplo dizer que só se é feliz largando toda a padronização da sociedade e sair pelas ruas falando do amor, e sim, perceber nos detalhes do cotidiano a preciosidade que se é viver. No filme O fabuloso destino de Amelie Poulain, tem uma frase que sintetiza um pouco da nossa cegueira, “Quando o dedo aponta o céu, o idiota olha o dedo”. Com toda a cobrança do sistema em que estamos inseridos, chamado pelo Profeta por “capetalismo”, esquecemos de admirar a beleza das pequenas virtudes; vivemos em função de um grande dia e muitas vezes não aproveitamos as 24 horas que possuímos o famoso "Carpe Diem". Vivemos esperando o final de semana, as férias do fim de ano, o show do mês que vem, o casamento, a formatura as contas do fim do mês. E deixamos passar o bom dia do padeiro, a cartinha da criança, a letra da música, o olhar no olho, o sorriso, o abraço, como questiona Leoni “Por que é que a gente fica cego pra tanta beleza?”.
O Profeta Gentileza além de pregar suas palavras doces, as registrava em muros “Sua grafia e seus signos, já presentes em seu estandarte e em placas que realizava, se inscrevem agora na própria cidade, transformando pilastras em tábuas de seus ensinamentos” (livro Tempo de Gentileza). Não tive o prazer de ler as palavras de Gentileza, entretanto, algo me chamou atenção nos primeiros meses de 2014, o percurso que fazia todas as manhãs havia ficado mais bonito, de forma sutil uma frase imperativa surgiu a minha frente e fez com que eu questionasse o que seria felicidade, que naquele momento entendi que seria dar valor ao que amontoamento de sutilezas que a vida oferece.
O fato de colorir um muro sujo, vazio e insignificante, vai além de tinta e pincel, transforma-os em instrumentos de manifestação, filosofias e arte; me fez enxergar como pequenos detalhes podem causar prazer e mudar os pequenos segundos de quem lê. Os muros, as músicas, os poemas, os filmes, as fotos, os abraços e sorrisos, são as pequenas demonstrações da essencial felicidade que devemos sentir dia após dia. Independente de nossas metas e sonhos, a felicidade se manifesta quando conseguimos enxergar e não apenas ver. Isso também é usufruir da pílula vermelha que comentei no meu texto anterior, o conhecimento não é só dado nos livros, como o próprio Profeta Gentileza falava “quem é mais inteligente o livro ou a sabedoria?”, a sabedoria de transformar o insignificante em objeto de gentileza e compartilhar a grandiosidade do simples, “A felicidade só é verdadeira quando compartilhada” (filme Into the wild).
Aos anônimos Profetas Gentileza, a minha gratidão por animar os muros de Senhor do Bonfim, afinal, “Nós que passamos apressados pelas ruas da cidade merecemos ler as letras e as palavras de gentileza” (Marisa Monte).
Alguns muros de Senhor do Bonfim:







Primeiro Parabens. Me deu vontade de assistir novamente into the wild. Outra passagem que me veio a mente quando li sua postagem foi do clássico o conde de monte cristo. Em uma cena que mostra edmond dante ainda criança feliz pq ganhou um apito enquanto o filho do conde mondego insatisfeito com seu presente caro. a cena mostra que a felicidade não está no objeto em si, e sim no valor que damos a ele.
ResponderExcluirParabéns show 👏
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