quinta-feira, 2 de julho de 2015

Alice no Paraíso Artificial



Alice! Recebe este conto de fadas
E guarda-o, com mão delicada,
Como a um sonho de primavera
Que à teia da memória se entretece, 
Como a guirlanda de flores murchas que 

A cabeça dos peregrinos guarnece.
(Juntos naquela tarde dourada - Aventuras de Alice no País das Maravilhas.)

  Quem nunca leu ou assistiu o clássico “Aventuras de Alice no País das Maravilhas”? Uma obra prima de Lewis Carrol matemático inglês que escreveu livros questionando a lógica das coisas, a história conquistou com o passar do tempo o interesse do público em geral, interpretações e análises de cunho psicológico e sociológico, assim como “Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá”, que há mais de um século encantam crianças e adultos. Em “Alice no país das maravilhas”, Carroll questiona os padrões sociais estabelecidos na aristocracia da Inglaterra do século dezenove: a Era Vitoriana. Período marcado por valores rígidos, pela moral absoluta e pelo puritanismo. História encantadora e mágica de uma menina que refletia com seus botões o porquê de um livro sem figuras e nem diálogos e logo depois vê um coelho correndo e com pressa o qual ela segue e tem acesso a um mundo mágico através da toca do Coelho.
  Nessa aventura ela encontra várias ações e personagens inusitados, como o gato listrado ou a rainha de copas, que nos passam a ideia personificada de seres, ilusões, imaginação... Loucura? Algumas pessoas dizem que os personagens não são apenas imaginações ou que tem um significado próprio.
Uma das interpretações da história faz uma associação dos personagens com algumas drogas. Vejamos alguns exemplos:
Vamos começar pelo Coelho Branco, apressado, com relógio na mão, agoniado, sempre atrasado. Ele faz uma conexão com o uso de:

 ...encontrou uma pequena garrafa sobre ela (“que certamente não estava sobre aqui antes”, disse Alice) e amarrada ao redor do gargalo estava uma etiqueta com as palavras “BEBA-ME” lindamente impressa em palavras grandes......Alice aventurou-se a experimentá-la e, achando o sabor muito gostoso (o conteúdo tinha, de fato, um tipo de mistura de torta de cereja, creme de ovos, leite e açúcar, abacaxi, peru assado, toffy e torradas quentes), ela bem rápido acabou com ele......“Que sensação estranha”, disse Alice. “Eu devo estar encolhendo como um telescópio!”...

Essa parte do Chá que a Alice toma, com o Coelho, o Chapeleiro e outros personagens. Chá Aluscinogéno?

...“Um lado irá fazê-la crescer e o outro irá fazê-la diminuir.”     “Um lado do quê? Outro lado do quê?”, pensava Alice consigo mesma.     “Do cogumelo”, respondeu a Lagarta, como se Alice tivesse falado alto, e já no momento seguinte ela estava fora da vista.
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  No filme uma lagarta azul fumando narguilê sentada em um cogumelo, uma clara alusão ao uso de drogas, especialmente pelo cogumelo, que tem um enorme significado no mundo esotérico como um meio de comunicação com o divino. A essência tóxica de alguns cogumelos quando em contato com o cérebro leva a sérios sintomas e alucinações, e são usados há milhares de anos por pessoas (Até pelo Mário haha) que acreditam receber mensagens dos deuses. Destes o cogumelo “agário –das –moscas” (amanita muscaria), de cor vermelha com pontos brancos, é utilizado há milhares de anos por xamãs e curandeiros na Ásia, África, Europa e Américas, sobretudo para propósitos religiosos tais como curas, profecias, invocação de espíritos, comunicação com antepassados e percepção da imortalidade divina. Especula-se também que este cogumelo esteja presente no despontar das principais religiões do planeta, presente em contos populares e em textos de alquimia. Especificamente este cogumelo torna a pessoa tão alucinada que ela tem a sensação de que alguns objetos são maiores ou menores do que realmente são, e também com frequência a pessoa pode adormecer por algumas horas e ter sonhos vívidos e quando acorda a pessoa continua a ter visões. Notamos então a mudança na percepção de Alice quando ela come o bolo. Ela está encolhendo enquanto os objetos crescem, o bolo é o cogumelo ou foi feito de cogumelo. 


O gato, bem fora do comum, né...?



Uma outra interpretação nos faz refletir sobre críticas da época...
   A Rainha malvada, na obra Alice no País das Maravilhas, significa todo o tipo de ditadura. O personagem Chapeleiro Maluco é uma crítica aos ingleses tradicionais da época vitoriana, que não deixa de ser uma crítica à sociedade daquele período. Pois, ele ficou tão preso às tradições a ponto de enlouquecer. Afinal, no seu relógio são sempre cinco horas da tarde, hora do tradicional chá das cinco da Inglaterra. O coelho apressado representa o proletariado explorado e oprimido, que é sempre ameaçado pelo patrão. O gato listrado que fala mentiras aparece e desaparece é a alegoria do demônio. Pois, o diabo é mentiroso, engana e se disfarça de criatura mansa para despistar os outros seres.

  Sabemos que as interpretações supracitadas são alguns pontos de vistas de leitores e críticos, cabe a nós segui-las ou descarta-las, ou até mesmo criar nossas próprias interpretações. A História de Alice é mágica e encantadora, recomendo a todos a leitura! Sou apaixonada  de verdade e  tenho o livro em minha estante... Muito lindo por sinal haha



  

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