quinta-feira, 9 de julho de 2015

  Vai ser Menino ou Menina? Vai ser criança mesmo!
Algumas considerações a cerca da construção da identidade..
O modo como homens e mulheres se comportam na sociedade é resultado de uma aprendizagem sociocultural que é ensinada desde os primeiros anos de vida dos sujeitos, seja pelas práticas disciplinares reforçadas culturalmente ou pela falta de olhares sensíveis a alguns determinados comportamentos. Comportamentos estes que julgamos naturais, nos levando a ideia errônea que existe um modo de ser feminino e um masculino, assim como coisas especificas para mulher e coisas para homem, interferindo até nas brincadeiras, brinquedos, profissões e inclusive na construção e fortalecimento identitário dos indivíduos. Vale ressaltar que esses aspectos são edificados historicamente na nossa sociedade, e são ensinados e também reproduzido, pois como afirma Louro, (1997) estas crianças “se envolvem e são envolvidas nessas aprendizagens – reagem, respondem, recusam ou assumem inteiramente.” (P. 61), nem sempre de maneira inconsciente como acreditamos.                                                                                                                      A cultura sexista que aqui procuramos combater carrega a explicação de até os hábitos mais simples, como a escolha de um brinquedo por uma criança, é algo natural, que já nasce com ela. Entretanto ao analisarmos o período de gestão de uma mulher é possível observar que antes mesmo de a criança vir a nascer, há todo um preparo para a sua chegada, sendo um dos maiores questionamentos a curiosidade sobre o gênero do feto, se este será menino ou menina, e em cima da resposta uma “força tarefa” é articulada, para a escolha das roupas que o mesmo irá usar, na cor dos utensílios e até das suas vestis, e dependendo da ascensão social de quem o espera, a cor da parede do quarto, e até os brinquedos que irá utilizar após o nascimento. E isso não deixa de existir após quando a criança “vem ao mundo”, apenas se fortalece através comportamentos ensinados e reproduzidos, Bento (2011), enfatiza que,
“Quando a criança nasce, encontrará uma complexa rede de desejos expectativas para seu futuro, levando-se em consideração para projetá-la o fato de ser um/a menino/menina [...]. Essas expectativas são estruturadas numa complexa rede de pressuposições sobre comportamentos, gostos e subjetividades que acabam por antecipar o efeito que se suponha causa” (P. 550)
Passando assim rotular e dissociar o que é de menino e o que é de menina, inclusive o próprio comportamento, sendo que as crianças do gênero feminino precisam ser cuidadosas, carinhosas e delicadas, sempre andar bem arrumada, e ao sentar manter sempre as pernas fechadas, enquanto os do gênero masculino são considerados livre por natureza, sempre agitados e desorganizados.  Características estas, de uma sociedade com bases patriarcais moldadas no século XIX, muito se avançou desde então, principalmente através dos Movimentos Feministas e de lutas travadas por diversas demandas não apenas “femininas”, entretanto os vestígios de uma cultura sexista, que colocam o homem como o centro e todas as coisas e as suas experiências são consideradas verdades absolutas, ainda é muito presente em atitudes e discursos, segundo Moreno (1999) avigora a ideia sexista, colocando a mulher em desvantagem em relação ao homem e sendo reforçada por meio da linguagem, das formas de pensar que se naturalizam.                                                                  Assim, é fundamental que passemos a refletir a maneira como educamos/orientamos as nossas crianças, possibilitando sempre questionamentos sobre quais contribuições estamos dando a elas, principalmente quais subsídios estamos proporcionando para a construção e fortalecimento da identidade de gênero desses sujeitos.                                                                                                                                              Portanto, se quisermos ultrapassar as questões discriminatórias e as dicotomias existentes, precisaremos estar preparadas/os para lidar ainda com esses aspectos patriarcais, e não cair no equivoco de não dialogar com as crianças sobre questões de gênero, pois essa seria uma postura omissa diante de elementos fundamentais na construção da identidade dos sujeitos, e se omitir desta maneira seria negar todas as lutas historicamente travadas, conquistas e avanços alcançados até aqui, assim como continuar moldando a identidade da própria sociedade, principalmente de as de nossas crianças. 

Por: Liz Guimarães 
  

Um comentário:

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