Vai ser Menino ou Menina? Vai ser criança mesmo!
Algumas considerações a cerca da construção da identidade..
O modo como homens e mulheres se comportam na
sociedade é resultado de uma aprendizagem sociocultural que é ensinada desde os
primeiros anos de vida dos sujeitos, seja pelas práticas disciplinares
reforçadas culturalmente ou pela falta de olhares sensíveis a alguns
determinados comportamentos. Comportamentos estes que julgamos naturais, nos
levando a ideia errônea que existe um modo de ser feminino e um masculino,
assim como coisas especificas para mulher e coisas para homem, interferindo até
nas brincadeiras, brinquedos, profissões e inclusive na construção e
fortalecimento identitário dos indivíduos. Vale
ressaltar que esses aspectos são edificados historicamente na nossa sociedade,
e são ensinados e também reproduzido, pois como afirma Louro, (1997) estas
crianças “se envolvem e são envolvidas nessas aprendizagens – reagem,
respondem, recusam ou assumem inteiramente.” (P. 61), nem sempre de maneira
inconsciente como acreditamos. A cultura sexista
que aqui procuramos combater carrega a explicação de até os hábitos mais
simples, como a escolha de um brinquedo por uma criança, é algo natural, que já
nasce com ela. Entretanto ao analisarmos o período de gestão de uma mulher é
possível observar que antes mesmo de a criança vir a nascer, há todo um preparo
para a sua chegada, sendo um dos maiores questionamentos a curiosidade sobre o
gênero do feto, se este será menino ou menina, e em cima da resposta uma “força
tarefa” é articulada, para a escolha das roupas que o mesmo irá usar, na cor
dos utensílios e até das suas vestis, e dependendo da ascensão social de quem o
espera, a cor da parede do quarto, e até os brinquedos que irá utilizar após o
nascimento. E
isso não deixa de existir após quando a criança “vem ao mundo”, apenas se
fortalece através comportamentos ensinados e reproduzidos, Bento (2011),
enfatiza que,
“Quando a
criança nasce, encontrará uma complexa rede de desejos expectativas para seu
futuro, levando-se em consideração para projetá-la o fato de ser um/a
menino/menina [...]. Essas expectativas são estruturadas numa complexa rede de
pressuposições sobre comportamentos, gostos e subjetividades que acabam por
antecipar o efeito que se suponha causa” (P. 550)
Passando assim rotular e dissociar o que é de
menino e o que é de menina, inclusive o próprio comportamento, sendo que as
crianças do gênero feminino precisam ser cuidadosas, carinhosas e delicadas,
sempre andar bem arrumada, e ao sentar manter sempre as pernas fechadas,
enquanto os do gênero masculino são considerados livre por natureza, sempre
agitados e desorganizados. Características estas, de uma
sociedade com bases patriarcais moldadas no século XIX, muito se avançou desde
então, principalmente através dos Movimentos Feministas e de lutas travadas por
diversas demandas não apenas “femininas”, entretanto os vestígios de uma
cultura sexista, que colocam o homem como o centro e todas as coisas e as suas
experiências são consideradas verdades absolutas, ainda é muito presente em
atitudes e discursos, segundo Moreno (1999) avigora a ideia sexista, colocando
a mulher em desvantagem em relação ao homem e sendo reforçada por meio da
linguagem, das formas de pensar que se naturalizam. Assim,
é fundamental que passemos a refletir a maneira como educamos/orientamos as
nossas crianças, possibilitando sempre questionamentos sobre quais
contribuições estamos dando a elas, principalmente quais subsídios estamos
proporcionando para a construção e fortalecimento da identidade de gênero
desses sujeitos. Portanto,
se quisermos ultrapassar as questões discriminatórias e as dicotomias
existentes, precisaremos estar preparadas/os para lidar ainda com esses
aspectos patriarcais, e não cair no equivoco de não dialogar com as crianças
sobre questões de gênero, pois essa seria uma postura omissa diante de
elementos fundamentais na construção da identidade dos sujeitos, e se omitir
desta maneira seria negar todas as lutas historicamente travadas, conquistas e
avanços alcançados até aqui, assim como continuar moldando a identidade da
própria sociedade, principalmente de as de nossas crianças.
Por: Liz Guimarães

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